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O SILÊNCIO QUE DENUNCIA: COMO A ESQUERDA PORTUGUESA PERDEU O MONOPÓLIO DA EMPATIA

O Hamas libertou reféns. Pessoas que estiveram vários meses nas mãos de um grupo terrorista, sequestradas, torturadas, privadas de tudo o que faz da vida uma vida.
E o que disse a esquerda portuguesa? Catarina Martins, Mariana Mortágua, Paulo Raimundo ou Rui Tavares remeteram-se ao silêncio. Nenhum gesto, nenhuma palavra, nenhum sinal de empatia humana.

Este silêncio é revelador.
Falam quando Israel dispara, mas calam-se quando israelitas voltam vivos.
Falam de genocídio, mas ignoram reféns civis arrancados de casa.
Falam de direitos humanos, mas só para um lado.
O humanismo que proclamam é cego, cobarde e falido.

Porque quando a libertação de reféns não emociona, quando a alegria de uma mãe que reencontra o filho não comove, não é solidariedade o que se defende — é apenas ideologia. A mais vil de todas: aquela em que se escolhe de quem se deve ter compaixão.

O acontecimento que a esquerda não quer ver

Um episódio que a esquerda prefere ignorar, por cegueira ideológica, foi o que ocorreu nos dias em que Israel devolvia reféns à vida e Gaza voltava a ser palco de morte. Mas desta vez, não por intervenção israelita.
No dia 11 de outubro de 2025, pelo menos 27 pessoas morreram em violentos confrontos entre o Hamas, que (des)governa a Faixa de Gaza, e membros armados do clã Dughmush, uma poderosa família local. As mortes ocorreram depois de uma operação do Hamas para prender elementos do clã, num dos embates internos mais sangrentos desde a retirada das tropas israelitas de Gaza.

As testemunhas relataram cenas de pânico com famílias em fuga, bairros destruídos e civis apanhados entre as duas forças palestinianas.
Como descreveu um morador: “Desta vez as pessoas não fugiam de ataques israelitas. Fugiam do próprio povo.”

Ao mesmo tempo, decorria o cessar-fogo que incluía a libertação de 20 reféns israelitas ainda vivos e dos corpos de outros 28 reféns mortos, em troca da libertação de 250 prisioneiros palestinianos e de 1.700 pessoas detidas em Gaza, incluindo 22 crianças.

Os confrontos entre o Hamas e o clã Dughmush foram confirmados por diversas fontes internacionais, entre elas o The Independent e a France 24, que relataram dezenas de mortos e feridos em combates internos palestinianos.

Curiosamente, sobre este episódio, o mundo progressista também manteve o silêncio.
Nem indignação, nem hashtags, nem marchas pela paz.
Imperou o mesmo silêncio que se instalou quando os reféns israelitas regressaram aos braços das suas famílias.

A seletividade moral da esquerda

A esquerda tem tido, há muito, uma seletividade moral na escolha dos seus protestos, com silêncios e omissões convenientes em relação a diversos assuntos.
E há algo de profundamente inquietante nesta omissão porque quando Israel reage militarmente, as redes sociais fervem de condenações, mas quando o Hamas mata palestinianos, reina a ausência. Quando civis israelitas são libertados, há constrangimento, mas quando o clã Dughmush e o Hamas se matam mutuamente, há indiferença.

O discurso da esquerda europeia, e da portuguesa em particular, tornou-se prisioneiro do enquadramento ideológico em que Israel é sempre o opressor e os palestinianos são sempre as vítimas.
Essa leitura simplista ignora a complexidade do conflito e, pior ainda, desumaniza seletivamente, porque só reconhece a dor que confirma a narrativa.

Não há empatia universal, apenas empatia condicionada.
E quando a compaixão depende da bandeira que alguém carrega, deixa de ser compaixão e passa a ser militância.

Ideologia acima da humanidade

Em vez de uma esquerda humanista, temos uma esquerda dogmática que coloca a ideologia acima da humanidade.
Os mesmos que marcham em defesa da liberdade dos povos são incapazes de expressar alegria pela libertação de inocentes.
Os mesmos que falam de direitos humanos universais calam-se perante execuções sumárias em Gaza.
A humanidade que dizem defender é filtrada por uma grelha ideológica onde só cabe quem confirma a visão do mundo da extrema-esquerda.

Catarina Martins, Mariana Mortágua, Paulo Raimundo e Rui Tavares, figuras que se pretendem racionais e moderadas, alinham frequentemente com esta visão maniqueísta.
São porta-vozes de um pensamento que vê o Ocidente como fonte de todos os males e que transforma Israel no inimigo simbólico de todos os oprimidos.
É um radicalismo travestido de moralismo, que prefere o conforto da coerência ideológica ao desconforto da verdade.

O silêncio como posição política

Há silêncios que gritam.
Sempre que líderes da esquerda se calam perante a libertação de reféns israelitas, esse silêncio não é neutro, é uma escolha.
A escolha de quem teme ser visto a celebrar a sobrevivência de um israelita, mas não hesita em denunciar cada ação de defesa de Israel como sendo genocídio.
A escolha de quem fala de paz, mas só quando pode apontar o dedo a um lado.

O silêncio perante a libertação de reféns israelitas e os confrontos internos em Gaza expõe a hipocrisia moral de parte da esquerda contemporânea.
Porque não é o sofrimento que move essas vozes, é o enquadramento político do sofrimento.
E não é a defesa dos direitos humanos, é a sua instrumentalização.

Enquanto a esquerda portuguesa continuar refém do seu próprio discurso, cega à dor que não serve a narrativa, continuará a perder relevância moral e política.
Porque, mais do que o barulho das condenações, é o silêncio, e aquilo que esse silêncio escolhe ignorar, que define o carácter de um político.

Um humanismo seletivo não é humanismo.
E a solidariedade que depende do partido, da religião ou da bandeira deixa de ser solidariedade, passando a chamar-se tribalismo ideológico.

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