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O discurso populista de esquerda existe e é instrumentalizado por forças anti-ocidentais.

O populismo de esquerda é menos ruidoso que o populismo de direita, mas não menos perigoso do ponto de vista democrático. Porque disfarçado de empatia, moralidade e cultura, promove uma visão binária do mundo e tenta moldar a sociedade segundo uma agenda identitária e estatal fortemente centralizadora. Esta falsa empatia pode perceber-se nas expressões ingénuas de Mariana Mortágua do BE, com um ligeiro franzir de testa, enquanto vocifera as maiores barbaridades contra a sociedade ocidental ou o ar sereno com que Rui Tavares do Livre ataca valores básicos da nossa sociedade como a propriedade privada. Tanto Mariana Mortágua como Rui Tavares acabam por ser versões mais académicas, eruditas, dogmáticas e polidas deste tipo de populismo intolerante e sem direito ao contraditório que já vínhamos observando em líderes de partidos de extrema-esquerda mais antigos e tradicionais como PCP, MRPP e afins.

O populismo de esquerda é uma estratégia política que se caracteriza por dividir a sociedade entre “o povo puro” e “a elite corrupta”, mas com uma fixação específica nas injustiças sociais, económicas e históricas. Promete uma redenção colectiva através do Estado, quase sempre com soluções simplistas e ineficazes para problemas complexos e recorre sempre a uma retórica emocional com tom moralista e redentor, apresentando-se como a voz dos marginalizados, posicionando o líder ou o partido como salvador ou guia iluminado.

É um tipo de populismo que promove uma política de identidades que instrumentaliza grupos vulneráveis ou minoritários em nome de causas universais, mas sempre em benefício político próprio, defendendo um Estado fortemente controlador e interventivo, quase sempre com desdém pelas regras do mercado, da propriedade privada ou da economia liberal.

O discurso populista de esquerda pode ser, e é efetivamente, instrumentalizado por forças anti-ocidentais, embora isso dependa do contexto e das motivações de quem o utiliza. Em termos gerais, o populismo de esquerda costuma centrar-se na crítica ao neoliberalismo, ao capitalismo globalizado e às elites económicas. Essas críticas, quando intensificadas, podem alinhar-se com narrativas de forças anti-ocidentais que procuram minar a hegemonia política e económica dos países ocidentais, especialmente a dos Estados Unidos e da Europa.

Uma das formas de instrumentalização deste populismo de esquerda é feito através da captura das criticas feitas por movimentos de esquerda às intervenções militares e políticas das potências ocidentais e integrando-as na retórica anti-imperialista de muitos governos autoritários para justificar as suas ações externas.

Países ou movimentos anti-ocidentais também podem adotar a retórica de líderes ou movimentos populistas de esquerda para legitimar as suas posições, como por exemplo, governos autoritários podem citar líderes de esquerda, como Hugo Chávez ou Evo Morales, como exemplos de resistência ao imperialismo ocidental.

As forças anti-ocidentais muito frequentemente defendem um mundo multipolar, no qual a hegemonia ocidental seja diluída a favor de potências emergentes, como a Rússia e a China. Um discurso populista de esquerda que critique a globalização liderada pelo Ocidente pode, conscientemente ou não, prestar um bom serviço essa agenda.

E o facto dos movimentos populistas de esquerda geralmente vocalizarem ressentimentos populares contra a desigualdade e a exploração, leva a que essas narrativas sejam exploradas por forças anti-ocidentais que procuram instigar desconfiança e divisão dentro das sociedades ocidentais com o intuito de as enfraquecer.

No entanto, é importante destacar que muitos movimentos populistas de esquerda são críticos não apenas do imperialismo ocidental, mas também de regimes autoritários ou não democráticos, independentemente de sua orientação geopolítica. Assim, embora exista a possibilidade de instrumentalização, isso não significa que haja uma aliança consciente ou direta entre o populismo de esquerda e forças anti-ocidentais. Temos assim, que estas forças de esquerda cujo discurso populista serve os interesses das forças anti-ocidentais, serão os alvos primeiros a eliminar quando cumprida a agenda.

Vitor Grade

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