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A Europa e a Sua Grandeza Esquecida

A Europa foi, em tempos, o farol da civilização nos domínios político, económico, social, tecnológico e militar. Essa grandeza de outrora tem vindo a ser sistematicamente desvalorizada por uma sucessão de líderes incompetentes, subordinados a políticas de esquerda que nos foram incutindo complexos de culpa pelo “privilégio” do eurocentrismo. Com o tempo, conseguiram mesmo transformar o eurocentrismo num anátema, no sentido de tabu, alvo de reprovação absoluta. Ou seja, a ideia de eurocentrismo passou a ser vista pelas esquerdas europeias como algo negativo e indesejável.

Nunca nos devemos esquecer de que a Europa não se tornou grandiosa por acaso. A civilização europeia tem uma origem complexa e multifacetada, resultante da confluência de diversas culturas, povos, costumes e tradições. A sua formação e evolução assentam, sobretudo, na herança greco-romana, na tradição judaico-cristã e nas influências dos povos germânicos e celtas, os três grandes pilares da identidade europeia.

A Grécia Antiga foi o berço da filosofia, da democracia e do pensamento racional, com figuras como Sócrates, Platão e Aristóteles, que moldaram a forma como o Ocidente compreende a política, a ética e a ciência. Foi também pioneira na literatura, na arte e no conceito de cidadania. Roma expandiu esse legado, estruturando-o e criando um império vastíssimo que dominou a Europa, o Norte de África e o Médio Oriente durante séculos. Os sistemas jurídicos europeus assentam no direito romano, e as monarquias e os Estados que lhe sucederam foram profundamente influenciados pela organização política e administrativa do Império Romano. Esta é a herança greco-romana.

Durante o Império Romano, a influência judaico-cristã começou a fazer-se sentir, com a ascensão do cristianismo, que foi adotado oficialmente por Constantino no século IV, tornando-se num dos principais alicerces da civilização europeia. A moral cristã consolidou valores como a dignidade humana, a sacralidade da vida, a compaixão e a noção de justiça. Durante a Idade Média, muitas vezes injustamente apelidada de “idade das trevas”, a Igreja teve um papel fundamental na preservação do conhecimento clássico, através dos mosteiros e das universidades. Foi também a Igreja que contribuiu decisivamente para a unificação cultural e política da Europa, culminando na formação do Sacro Império Romano-Germânico, uma entidade que influenciou profundamente a arte, a política e a cultura europeias.

Com a queda do Império Romano do Ocidente, cerca de 476 d.C., a Europa começou a ser moldada também pelos povos germânicos, como os Francos, Visigodos e Lombardos, que fundaram os primeiros reinos medievais, trazendo consigo tradições de honra, lealdade e organização descentralizada, que dariam origem ao feudalismo. Mesmo antes da ascensão de Roma, os Celtas já habitavam vastas regiões europeias, com uma cultura que influenciou profundamente tradições locais, especialmente na Irlanda, Escócia, Bretanha e Galiza.

Da fusão destes três pilares, razão grega, organização romana e moral cristã, com os valores e tradições dos povos germânicos e celtas, surgiu uma Europa medieval estruturada pelo feudalismo, pelas monarquias cristãs e pelas Cruzadas. O Renascimento marcou o regresso aos ideais clássicos, impulsionando a ciência, a arte e o humanismo. As estruturas tradicionais foram depois desafiadas pela Revolução Científica e pela Reforma Protestante, abrindo caminho ao Iluminismo e à Revolução Industrial.

Todos estes períodos foram, em maior ou menor grau, fundamentais para consolidar a Europa como centro de inovação, progresso e expansão global, estendendo a sua influência aos cinco continentes.

Hoje, no entanto, assistimos a uma dormência dos valores que fizeram da Europa uma civilização grandiosa. Esses valores têm sido colocados em causa por ideologias socialistas, que têm contribuído para o enfraquecimento da identidade europeia no contexto global. Os líderes europeus das últimas décadas condenaram a Europa a uma fragilidade moral e militar sem precedentes.

E como bem sabemos, dos fracos não reza a História.

Vitor Grade

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