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Uma bandeira não substitui aquilo que somos

Uma ideia que se repete até à exaustão no debate público é a de que determinadas identidades só existem se forem permanentemente afirmadas, exibidas e reconhecidas pelo Estado. Não é verdade.

Ninguém sério hoje nega a existência de pessoas homossexuais. Esse é um falso conflito, construído para dramatizar e simplificar uma discussão que é, na realidade, muito mais complexa. O que está verdadeiramente em causa não é a existência de ninguém, mas sim o papel do Estado. Deve o Estado adotar símbolos identitários específicos como se representassem todos?

A resposta, numa sociedade plural e madura, só pode ser uma: Não, não deve.

Recordar aqueles que sofreram no passado é legítimo e necessário para que todos saibam o que se passou até chegarmos aqui. Mas transformar essa memória numa exibição institucional permanente não é homenagem, é apenas instrumentalização. A dignidade de quem lutou mede-se pela liberdade conquistada, não pela quantidade de bandeiras hasteadas em edifícios públicos.

E essa liberdade existe.

Outro ponto essencial é a ideia de “comunidade”. Fala-se de “comunidade LGBTQIA+” como se se tratasse de um bloco coeso, com identidade, interesses e visão comum. Não é, nunca foi e, provavelmente nunca será

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Reduzir indivíduos à sua orientação sexual é, ironicamente, contrariar o próprio princípio de igualdade que se diz defender. Uma pessoa não é definida por com quem se relaciona. É definida pelo seu caráter, pelas suas escolhas e pelo contributo que dá à sociedade.

Tudo o resto são rótulos.

E esses rótulos têm sido usados como instrumentos políticos. As políticas identitárias fragmentam a sociedade em grupos, alimentam divisões artificiais e criam uma lógica de permanente confronto. Não promovem inclusão, Apenas promovem segmentação e fragilizam para que alguns mantenham relevância.

Há, por fim, o princípio, que não pode ser ignorado, que é o da neutralidade do Estado.

Os edifícios públicos pertencem a todos e não devem nunca ser palco de afirmações ideológicas, nem de agendas específicas, sejam elas quais forem. A sua função é servir o bem comum, não representar causas particulares.

Neutralidade não é exclusão. Neutralidade é respeito.

Quem defende que a ausência de símbolos institucionais equivale a negação de existência está, na prática, a confundir reconhecimento com validação permanente. E igualdade não se constrói através de distinção simbólica constante, mas através da ausência de necessidade dessa distinção.

Eu não sou uma sigla, não sou uma bandeira, não sou a minha orientação sexual.

Sou um cidadão. E isso chega.

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