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Hamas, Gaza e a ilusão da resistência: o cancro que ameaça o Ocidente

Desde que começou a guerra em Gaza, temos assistido em todo o mundo à proliferação de protestos pró-palestinianos, nas ruas da Europa, nas da América do Norte e nas de outras paragens com alguns milhares de pessoas a clamar contra aquilo que chamam de genocídio israelita. Mas nunca nesses protestos se ouve protestar contra o Hamas, que foi quem verdadeiramente afundou Gaza numa crise humanitária sem precedentes.

Por causa da verdade ser incómoda, dificilmente ouvimos dizer que o maior inimigo do povo palestiniano é o Hamas, sendo muito mais fácil apontar o dedo a Israel, o único Estado democrático na região do Médio Oriente. Mais difícil, é reconhecer que a principal causa da fome, da destruição, da morte e de todo o horror em Gaza está na própria liderança local, o Hamas, um grupo terrorista islâmico que sequestrou o futuro do povo palestiniano para seu próprio proveito.

Desde que tomou o poder através da força em 2007, o Hamas transformou Gaza num campo de treino jihadista, onde a prioridade nunca foi construir escolas ou hospitais para serem apenas isso mesmo, mas sim para funcionarem como cobertura para proteger os inúmeros túneis terroristas e arsenais de guerra construídos por baixo. Milhões de dólares em ajuda humanitária enviados pela ONU, União Europeia e ONGs internacionais foram sistematicamente desviados para fins militares. Sacos de arroz transformaram-se em cimento para túneis. Geradores para hospitais passaram a ser usados para abastecer comandos de guerra. Medicamentos e alimentos desviados para os seus próprios soldados deixando as populações, o verdadeiro objetivo das ajudas, a perecer à fome e à sua própria sorte.

Pior do que tudo isto, é o Hamas usar civis como escudos humanos e criar cenários para filmar a morte desses civis para alimentar uma máquina de propaganda emocional destinada a sensibilizar o Ocidente e todas as pessoas bem intencionadas que se deixam instrumentalizar por esta mesma propaganda. O Hamas não hesita em esconder armas dentro de creches ou lançar rockets a partir de escolas, sabendo que um eventual ataque israelita será amplamente difundido por órgãos de comunicação acríticos e militantes. A criança que nos aparece morta na imagem nunca será apresentada como vítima do escudo cínico do Hamas. Será sempre, automaticamente, culpa de Israel e da sua falta de humanidade.

Israel não é um país perfeito, nem está totalmente isento de culpas neste conflito, mas é o único farol de civilização no mas de intolerância que é o Médio Oriente dominado pelo islão. É verdade que Israel podia ser mais contido na resposta ao ataque que sofreu a 7 de outubro de 2023 no festival de música de Re’im, pois o direito à defesa não deve significar a negação da proporcionalidade. Mas, ao contrário do que os seus críticos tentam sempre insinuar, Israel não bombardeia por prazer. Está a combater um inimigo que se esconde entre civis e que deseja abertamente a destruição total do Estado de Israel, algo que está escrito, sem subterfúgios, na carta fundadora do Hamas.

Quer se goste ou não, Israel é a única democracia plena e funcional da região do Médio Oriente, sendo também o único país do Médio Oriente onde judeus, cristãos, muçulmanos, ateus, homossexuais e mulheres podem conviver em liberdade. É, sem sombra de dúvida, um escudo, ainda que imperfeito, de toda a civilização ocidental contra o avanço do islamismo político radical que ameaça a Europa com os mesmos valores que destruíram o Líbano e que hoje ensanguentam, destroem e escravizam populações inteiras em Gaza, na Síria, no Iémen, no Irão e no Afeganistão.

A criação e fundação do Estado de Israel em 1948, foi o culminar e a concretização do direito histórico e legal de um povo milenar a regressar à sua terra ancestral, um direito reconhecido pela quase totalidade da comunidade internacional através da Resolução 181 da ONU em 1947. Não foi uma imposição colonial como, hoje em dia, é muitas vezes narrado, numa tentativa desesperada de alguns setores da sociedade para alterar a História.

Importa ainda, recordar que enquanto Israel aceitou a partilha do território, os países árabes não, o que originou a primeira guerra israelo-árabe. Desde então, sempre que Israel cedeu território em troca de paz, como em Gaza em 2005 em que, como parte do seu plano de retirada unilateral, Israel removeu todas os colonatos judeus existentes na Faixa de Gaza além de quatro dos colonatos estabelecidos na Cisjordânia, recebeu terrorismo em troca. O problema, portanto, nunca foi uma suposta ocupação, mas sim a recusa, por parte de muitos líderes árabes e islâmicos, de aceitar a existência de um Estado judeu.

Neste momento, reconhecer unilateralmente o Estado da Palestina, sem qualquer acordo de paz, é premiar o Hamas e o terrorismo internacional enviando a mensagem clara de que o terrorismo compensa. É também permitir que o Irão, principal financiador do Hamas, Hezbollah e outros grupos extremistas, continue a manipular o destino da região para expandir a sua influência.

Parece-me não haver solução justa e duradoura sem a criação de dois Estados, sendo um o Estado de Israel seguro e reconhecido e o outro, o Estado palestiniano livre do Hamas e de interferências iranianas. Isso exige um acordo de não-agressão, garantias internacionais e o desmantelamento das infraestruturas terroristas.

A narrativa pró-palestiniana nos protestos que tomam, com alguma frequência, as ruas das capitais europeias, leva a que se vejam cartazes e slogans que denunciam Israel como um estado genocida, mas nunca se vejam cartazes a denunciar o Hamas, nunca se ouça gritar contra o uso de crianças inocentes como escudos, nem nunca se pergunte como é que milhões de dólares em ajuda humanitária desaparecem em Gaza. Todos os protestos acontecem como se o Hamas não existisse. E esta omissão revela uma cumplicidade extremamente perigosa.

O Hamas não quer um Estado palestiniano pacífico. O principal objetivo do Hamas é destruir Israel, é ser a guarda avançada de um movimento ideológico que despreza valores que sustentam a civilização ocidental como a democracia, os direitos das mulheres, a liberdade religiosa, o pluralismo e a liberdade de expressão. E é por isso mesmo que é extremamente urgente que o Ocidente perceba que o que está em causa em Gaza é muito mais do que um conflito regional. É, na realidade, a defesa dos nossos valores e do nosso modo de vida ocidental.

O povo palestiniano merece paz, liberdade, dignidade e futuro. Mas isso só será possível quando o Hamas for definitivamente removido do poder e o seu modelo de governo totalitário for rejeitado. A paz só pode nascer quando os dois povos aceitarem viver lado a lado, com segurança,  respeito, reconhecimento mútuo e fronteiras bem definidas e não se o terrorismo for recompensado com um Estado, pois é possível ser-se pró-palestiniano sem se ser pró-Hamas.

Vitor Grade

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